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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Rock de Camaçari vai virar filme

Do Camaçari Rock

Luz, câmera e rock!! Mais do que merecido, a história do rock de Camaçari será relatada em um vídeo, é o que pretende a estudante de jornalismo Emile Lira, responsável pela iniciativa. A universitária conta com a ajuda da colega Tais Araújo, as duas terão a dura missão de garimpar um pouco sobre a rica e oculta história do rock de nossa cidade.

Fizemos um bate papo com Emile, que contou todos os detalhes sobre vídeo, que é na verdade um trabalho de conclusão de curso da faculdade.
(Obs: Quem tiver afim de contribuir, fique a vontade para mandar arquivos de fotos ou vídeos)

Como está sendo o processo de descobrir fontes para o documentário?

A pesquisa em escala mundia e nacional eu fiz em livros e pela internet, mas em Camaçari, como não há registros, busquei orientação de algumas pessoas que penso ser referências, e que de fato me traçaram o histórico do rock na cidade.
Para o Projeto, no caso, o audiovisual, as fontes estão sendo buscadas pensando, primeiramente, no histórico que já fiz para essa primeira parte. No caso, uma abordagem rápida sobre as primeiras bandas da cidade, e maior foco no que acontece depois de 2000. 

Detalhe um pouco mais a questão do formato do vídeo, como ele realmente será? 

O documentário, na verdade, vai ter o formato de uma matéria especial para um programa de televisão, o que difere de um documentário em si por causa da figura do repórter na tela. O conteúdo será basicamente composto de entrevistas com músicos, produtores, frequentadores e demais figuras, como representantes dos coletivos e da cooperarock. A ideia é que toda a estética tenha a ver com o assunto: mais desprendido do formato padrão.

Por que resolveu fazer o TCC sobre este assunto? 

Primeiro porque é um tema que me interessa bastante, que tenho proximidade e um pouco de intimidade em falar. Também porque me identifico com o jornalismo cultural e o telejornalismo, e com o infotenimento (um neologismo que descreve na mosca o penso em fazer). Além disso, como pessoa que tem uma relação quase sentimental com o rock de Camaçari (rs - apesar de ter, relativamente, pouco tempo 'na cena'), acho massa a divulgação: porque o 'contar uma história', de certa forma, contribui para seu crescimento, para sua consolidação.

Conte um pouco sobre as dificuldades que você já vem encontrando.

A dificuldade que tive na primeira parte foi a de encontrar informações sobre a historia do rock aqui na cidade pela falta de registro mesmo. Para o Projeto, ainda não tive nenhuma dificuldade, só financeira (Risos). Ainda não comecei a por a mão na massa nessa parte, mas imagino que na parte do off terei um pouco de dificuldade pela falta de informações concretas, como já citei. E acredito também que a disponibilidade de algumas pessoas que penso em entrevistar seja um pouco complicada, mas trabalhando e planejando tudo se resolve.

Quando será apresentado o projeto, e depois vai ser disponibilizado para todos?

Vou entregar o TCC para aprovação no final de dezembro. Ainda não pensei em um lugar pra exibir nem nada, mas irei disponibilizar na net e quem sabe fazer um mine sessão de cinema em um som que rolar (provavelmente numa edição do Alternative-se né)

Formas de ajudar:
- Mandando fotos 
- Mandando relatos sobre bandas, grupos, etc
- Se disponibilizar ou indicar alguém pra ser entrevistado
Email: emilelira@yahoo.com.br

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

8 músicas para o dia do fim

Por Emile Lira

1. Em Dançando, a dupla Agridoce diz que não consegue enxergar a "beleza do mundo", por isso, o fim dos tempos não é lá uma grande preocupação. Eles afirmam até estarem "pronta pro mundo acabar", e propõem: "o mundo acaba hoje e eu estarei dançando". Quer forma melhor de encarar o dia 21?


2. O pessoal do R.E.M. também encara o fim do mundo sem muito lamentação. "Que Legal! Começa um terremoto", cantam em It's The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine), e continuam "É o fim do mundo como nós o conhecemos e eu me sinto bem".


3. Já faz tempo, Raul Seixas profetizava em O Dia que a Terra Parou. Ele sonhou com esse dia. O sonho dizia na verdade sobre um fatídico dia em que ninguém sairia de casa, nada iria acontecer. Não é o fim do mundo, ok, mas convenhamos, da Terra parar pro mundo acabar é daqui pralí.
4. Se com um sol a gente já tá derretendo, imagine com dois sois. Cássia Eller cantou em O Segundo Sol que "o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa" era na verdade um outro sol. Novo sol chegando, um realinhamento das órbitas dos planetas e um calor pra não sobrar um ser vivo se quer.


5. "Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar. Não deixe nada pra semana que vem porque semana que vem pode nem chegar" Pitty nos aconselhava em Semana Que Vem. Pois é, camaradas, só esperamos que tenham seguido o conselho da baiana, porque né, dia 21 chegou e "esse pode ser o último dia de nossas vidas".


6. Sem enrolação. "Este é o fim", afirma The Doors em The End. É o fim de "tudo que permanece". Ou seja, não há escapatória, o fim do mundo bateu na porta.


7. EUm Minuto para o Fim do Mundo é por causa da dor da perda que CPM22 disse sentir "o mundo acabar", perder "o chão sob meus pés", e faltar "o ar pra respirar". Mas nessa sexta-feira ninguém vai precisar de motivo algum. E nem adianta voltar "o relógio para trás tentando adiar o fim".


8. "Você viu o que eles disseram nas notícias de hoje? Você viu o que está vindo para nós? Que o mundo como conhecemos chegará ao fim". Pois é, Iron Maiden nos alertava em When The Wild Wind Blows. Não temos saída, "eles disseram que não há nada a ser feito sobre a situação... pra sentar e esperar que algo aconteça (...) Haverá uma catástrofe como nunca vimos antes, haverá algo que iluminará o céu". Mas talvez reste uma esperança "ele tem suprimentos suficientes para durar por um ano ou dois. É bom ter, porque nunca se sabe". Fica a dica.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Arte e cultura nas praças de Camaçari


O grafiteiro Chuck

Por Emile Lira


Uma das principais referências da cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, a Praça Abrantes sempre foi reduto da juventude, seja em bares, pista de skate, quadra de esportes ou pontos de artesanato hippie. Foi pensando em aproveitar a efervescência do local e ocupá-lo com cultura de rua que, em 2010, surgiu o projeto Roda Gigante.
O Roda Gigante começou a ser desenvolvido pelo Representa Clan, coletivo que conta com cerca de 12 colaboradores ativos que fazem parte, sobretudo, do movimento hip hop em Camaçari. Sempre nas noites da primeira quarta-feira do mês, a Praça Abrantes vira palco de break dance, beat box, malabares, grafite, poesia, teatro e diversas manifestações culturais, além de esportes como o patins, skate, bike e slackline. Quem passa pelo local pode assistir e participar: microfone e instrumentos como violão e flauta ficam disponíveis para quem quiser mostrar o seu talento. “Acho massa a iniciativa. Se apropriar do espaço público e construir um evento multi-arte é espetacular”, opina o funcionário público Junior Borges, que conheceu o projeto recentemente.

Divulgando artistas locais - O Roda Gigante mostra que é possível divulgar a arte com poucos recursos. Esse foi o principal objetivo do rapper, arte- educador e idealizador do projeto, Uri Menezes, integrante do Representa Clan. Ele conta que a intenção é dar visibilidade aos artistas locais. “Se só ficarmos esperado por alguém ou pelo poder público realizar alguma coisa, nós ficamos reféns. Temos que mostrar que não somos o problema, e sim parte da solução, esse é um instrumento de luta pelo social”, defende.
Léo Roots, integrante da banda FumaSound, e  Uri 
Menezes, rapper, arte-educador e  idealizador do projeto
O espaço não é voltado apenas para o um estilo musical, artistas de diversos segmentos também participam das apresentações. Esse é o caso do músico Ítalo Oliveira, vocalista e guitarrista da banda de punk rock The Pivo’s, que abraçou a ideia desde o começo do projeto. “É a integração de arte, cultura e entretenimento ao ar livre e aberto ao público, proporcionando um momento de interação entre artistas, esportistas e a população em geral”.
No mês de setembro a Roda Gigante ganhou uma versão itinerante, ocupando a praça do bairro Camaçari de Dentro. “Pretendemos levar esse movimento para outros bairros para procurar em cada localidade novos talentos” conta Uri. Um dos artistas que fez das praças vitrine de suas obras foi o grafiteiro Fábio Gomes Neto, conhecido como Chuck. “Realizações como essa podem mudar muita coisa na cultura e na cidade, fazendo com que a população tenha outra visão do que é a arte de rua”.  

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Especial Dia Municipal do Rock Camaçari'12


Por Emile Lira

O lendário rock man baiano Raul Seixas marcou época e ainda é ícone nacional do gênero, sobretudo por representar tão avidamente uma das mais significativas características do rock n’roll, o espírito de contestação. Hoje, dia 21 de agosto, o alternative-se lembra dos 23 anos sem o grande Rei Raul, e saúda o Dia Municipal do Rock de Camaçari, data instituída em alusão a morte do cantor.
Flávio Guerra, presidente de Cooperarock, associação que visa desenvolver e divulgar o cenário rock de Camaçari, avalia de forma positiva a Data, que foi instituída no ano de 2009 através da então Vereadora, atual Deputada Luiza Maia, em parceria com a Cooperarock. “É mais uma forma de potencializar a cena independente da cidade”, afirma. Este ano a comemoração acontece nos dias 01° e 02 de setembro, a partir das 20h, no Teatro Alberto Martins, com shows de dez bandas da cidade, além do cantor Nasi. A grade completa sai ainda esta semana e o evento pretende marcar o rock de Camaçari.





sexta-feira, 13 de julho de 2012

Top 5 bandas que nos fazem apaixonados por rock


Por Emile Lira

1- U2


Tive a sorte de nascer numa família que aprecia boa música. Já me falaram que meu pai tinha todos os vinis de U2. Não cheguei a ver essa coleção, porque quando eu nasci os vinis  estavam saindo de 'moda' e acho que ele já tinha se desfeito dos discos. Mas me lembro dos muitos CD's e, mais tarde, DVD's do U2. E quando cheguei na adolescência também me encantei, sobretudo pelas guitarras de The Edge. Colecionei fotos de Bono Vox, criei um perfil fake no orkut, assisti emocionada pela televisão a apresentação deles em São Paulo em 2006, escutava o disco Vertigo no mínimo três vezes por semana.
Hoje não sou grande fã de U2, mas inegavelmente é uma ótima banda, e a grande responsável por me fazer gostar de rock.

2 - Moptop

Se U2 me apresentou para o rock, Moptop me apresentou para o indie. A carioca era uma das cinco bandas de um DVD especial da MTV. Paixão a primeira vista, que carrego até os dias de hoje. Foi por causa de Moptop - e de tanto falarem por aí o quanto eles 'imitavam' Strokes - que conheci os novaiorquinos. E virei fã de tantas outras bandas indies, de Arctic Monkeys a declinium, fazendo com que hoje o gênero se tornasse o meu favorito.

Por Faustino Menezes

3 - AC/DC

A primeira grande banda de puro rock’n roll que eu ouvi na vida! Eu costumo dizer que o meu dia mundial do rock foi o dia em que eu conheci AC/DC. Na casa do meu primo, eu no alto dos meus 8 anos aproximadamente, senti uma curiosidade de colocar no som um CD escrito “The Best Of AC/DC”. Não sei se senti curiosidade de ouvir pelo nome, ou porque eu tinha que ouvir aquilo. A primeira música do disco não podia ser outra: Back In Black! A partir daí, vocês já sabem, né? Nada de menor valor que o rock’n roll entrou em minha mente tão avassalador quanto o som do AC/DC. Hoje sou fã de rock, de indie, de blues, de MÚSICA, graças ao Angus Young, Brian Johnson e sua trupe abençoada... digo, amaldiçoada!


4 - Nirvana


Acho que a grande unanimidade de quem é fã de rock é amar o estilo porque conheceu a banda de Kurt Cobain. Quando eu estava prestes a escrever sobre uma banda de rock nacional que me influencia a continuar apaixonado pelo rock, passei pelo Nirvana na minha biblioteca de música no computador. Aí não teve jeito! Não há quem resista ao mega trio de Seattle! Não lembro se ouvi Nirvana primeiro que AC/DC, mas sei que o mesmo (ou quase o mesmo) que senti quando ouvi as guitarras de Angus Young me fez levar no coração e na mente por anos as guitarras de Kurt Cobain. Se hoje o rock não é lá essas coisas, ele continua fascinante, porque um dia habitou nessas terras uma banda chamada Nirvana. Se sou fã de rock hoje, se conheço e sou feliz por ir a shows de rock, tenho que agradecer a meus primos George (graças a ele conheci o AC/DC) e a Everton (foi na casa dela que ouvi os primeiros acordes do insano Cobain). E até hoje quando ouço Nirvana sinto vontade de criar uma banda onde o ponto alto é ela, a guitarra distorcida, seca e impactante! O Nirvana provou que algo não precisa ser perfeito pra soar com qualidade. Valeu Kurt, você sempre será o maior ídolo pós-Beatles que o rock teve! E o mais 'porra loca' também!

Por Vitor Andrade

5 - Los Hermanos


Porque eles, assim como outras bandas e artistas nacionais (a exemplo da Cazuza e Renato Russo) desconstruíram a ideia que eu tinha de que rock tinha que ser algo pesado, usado apenas como forma de protesto. Ai passei a perceber que é muito mais abrangente, que você pode falar de política, corrupção, amor, relacionamentos, tudo no mesmo pacote e com a mesma qualidade. E Los Hermanos foram meio que "inovadores" no cenário nacional. Tocam rock, mas tocam baladinhas românticas, samba... Não se limitam.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Especial Dia Mundial do Rock'12

Por Emile Lira e Faustino Menezes

Para muitos, dia de rock é todo dia, mas o calendário reserva uma data especial para um dos ritmos mais empolgante do planeta, esse rebelde filho do R&B, jazz e country. A origem vem lá da década de 80, num festival realizado simultaneamente em duas cidades dos Estados Unidos, onde vários artistas subiram ao palco em prol do fim da fome na Etiópia. Muitos eventos assim aconteceram nessa época, mas esse, em 13 de julho de 1985, foi o que conseguiu maior arrecadação. E mesmo que hoje não se tenha nenhum registro visual dos shows, a data ficou marcada como o Dia Mundial do Rock.
Desde os tempos de Chuck Berry e Little Richard, explodindo com o faça você mesmo, lema do punk setentista, reunir bateria, baixo, guitarra e álcool pode dá bons frutos. Dos Beatles a Nirvana, de Rolling Stone a Iron Maiden, chega a ser quase incontável, são do rock os grandes nomes sagrados da música mundial. Até mesmo na chamada terra do samba e do carnaval, mestre Raul pode se orgulhar dos discípulos, seja com Renato, Cazuza ou Cássia Eller.
O ritmo é imortal por essa sua capacidade de inovar e transcender gerações. E hoje, com tantas novas – e ótimas – bandas que vêm surgindo, podemos sim afirmar que o rock não morreu, e o pai Elvis deve estar feliz.

COMEMORAÇÕES Para comemorar a data, Salvador tem programação especial. O Rock Concha leva na sexta-feira (13) à Concha Acústica do Teatro Castro Alves a baianíssima Cascadura e Agridoce, dupla formada pela cantora Pitty e pelo guitarrista Martin Mendonça. Sábado (14) quem sobe no palco é Vivendo do Ócio, uma das bandas soteropolitana que mais vêm ganhando destaque no cenário nacional, e Titãs, ícone do rock brasileiro. E para fechar o evento, no domingo (15) é a vez de Frejat e Maglore saudarem o Dia do Rock.

CAMAÇARI Já na cidade da árvore que chora, a comemoração acontece no domingo (15), quando bandas da cidade se juntarão a algumas convidadas. Psicopop, O Manto e Diário Urbano dividem palco com Pastel de Miolos, Velotroz, Camarones Orquestra Guitarrística e Vivendo do Ócio. A festa acontece a partir das 15h, no Espaço Armazém.

VELOTROZ NO DIA MUNDIAL E para saber mais do que pode acontecer no Dia Mundial do Rock 2012 em Camaçari, conversamos com Giovani Cidreira, vocalista, violonista e compositor da Velotroz, ele nos contou o que a banda do futuro prepara para a apresentação.
No currículo, o grupo carrega dois EPs bem sucedidos e aceitos pela crítica e público, shows enérgicos e fora do comum. A Velotroz dispensa qualquer apresentação, mas nunca é demais lembrar que a trupe, formado por seis jovens e talentosos músicos de Salvador, ganhou uma das competições mais desejadas por bandas baianas do estado: Desafio das Bandas do Grupo A Tarde, com um júri que contou até com o músico Fábio Cascadura, outro que dispensa apresentação.
 Os músicos se preparam pra vir pela segunda vez em Camaçari, mas pela primeira vez com uma responsabilidade tão grande como a de tocar no Dia Mundial do Rock ao lado de bandas importantes do rock baiano na cidade do Pólo.



Alternative-se: A banda acaba de lançar o EP A Banda do Futuro Apresenta: Espelho de Sharmene, e já estreou o repertório novo em show no Teatro Vila Velha, correto? Além do set-list, o que irá mudar na banda do último show em Camaçari para o do Dia Mundial do Rock?
Giovani Cidreira:
Sim, lançamos o EP Banda do Futuro Apresenta Espelho de Sharmene e o show "Espelho de Sharmene". Nesse show tocamos as músicas dos dois EPs que temos lançados e algumas músicas de gente que agente acha que sempre valerá a pena ouvir, como Sergio Sampaio e Arnaldo Baptista. As coisas mudaram. Agora nós tocamos apenas com o propósito de alertar as pessoas das coisas que viram no futuro, da falta de proximidade entre as pessoas, da falta de urgência no amor. Finalmente revelamos nossa missão aqui. Salvar o futuro da desilusão.

A: Como vocês se sentem em fazer esse show dia 15?
GC:
Esse é o terceiro show que vamos fazer com esse novo EP, estamos com muita vontade de tocar essas musicas e de contar para as pessoas o que vai acontecer daqui pra frente com nossas vidas. Além do mais, estávamos com vontade de voltar a Camaçari faz tempo. A cidade tem uns bares legais e a galera é muito receptiva... Um barato.

A: Até hoje vocês lançaram dois EPs (Parque da Cidade e Espelho de Sharmene) e já estão com um álbum prontinho pra ser lançado. Tocarão alguma música do disco no show?
GC:
Só tocaremos músicas dos trabalhos que já foram lançados. Da ultima vez que estivemos na cidade nós tocamos todas as musicas do disco novo, (risos). Combinamos não fazer mais isso. Quem foi, foi! (risos).

A: Dia Mundial do Rock: como vocês enxergam essa data atualmente? E qual a importância dela?
GC:
Eu acho legal, (risos). Esse dia me faz pensar... “Eu tenho uma banda de rock, que legal”. Faz pensar como isso é difícil e ao mesmo tempo tão bom. É como no dia do samba. Eu adoro.

A: E voltar em Camaçari? Como foi a primeira vez e o que esperam do dia 15?
GC:
A primeira foi uma loucura. Nós tocamos todas as músicas de um disco que ainda nem lançamos, fizemos boas amizades, brigamos e ficamos doidos mesmo, né? Eu virei fã da cidade.

A: Vai rolar algo especial pra esse show?
GC:
Sharmene prometeu aparecer, isso é difícil, espero que role.

A: Vocês são de Salvador. Qual a diferença do público de Camaçari pro soteropolitano? Se é que há diferença.
GC:
A diferença é que estamos tocando pra pessoas que de repente não conhecem a Velotroz, ou nunca foram num show nosso por morar em outra cidade, mas que gostam muito da banda e sabem cantar as músicas e tal. Isso torna a coisa toda mais interessante pra nós. É legal ver rostos diferentes.

A: E como é tocar com a Vivendo do Ócio, que está se destacando cada vez mais no cenário musical nacional?
GC:
É bom saber que vamos ter esse publico lá, de pessoas que de repente não conheceriam a Velotroz agora. Já tocamos com a Vivendo (do Ócio) outra vez, faz tempo, muita coisa mudou, eles mudaram, nós também. A galera é doida, vai ser legal.

A: E a ansiedade? Está muito grande?
GC:
Sim... Parece que vai ter muita gente lá no dia, vamos tocar com um pessoal bom, danado ‘mermo’. Nós gostamos da cidade, adoramos ir a Camaçari pra tocar. Espero que agente faça um bom show, quero que o povo goste, e que ouçam os ensinamentos da tecnologia divina Sharmene. Um beijo pra vocês!


E então, que o dia 13 (e todos os outros dias) seja de muito rock pra todos. Parabéns aos que insistem em fazê-lo, sobretudo nessa nossa terra do dendê, e a todos que apostam e apoiam a cena.  Vida longa!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

De todos os santos, cantos e ritmos

Por Emile Lira e Vitor Andrade

A fama de “Bahia de todos os santos, encantos e axés” é velha conhecida. Assim cantou Moraes Moreira, em Chame Gente, clássico do carnaval baiano. Mas o atual momento artístico do estado, sobretudo de Salvador, permite que se faça um pequeno acréscimo: além de todos os santos, encantos e axés, a Bahia é também de todos os cantos e ritmos.
Mesmo tendo o axé como maior referência musical do estado, é no circuito de música alternativa que mais surgem novidades que ganham destaque na rotina cultural da cidade. O que começou como um movimento tímido, se fortaleceu e invadiu as casas noturnas, ruas, e becos de Salvador.
“A cena alternativa na Bahia já cresceu bastante. Nunca as cidades do interior dialogaram tanto com a Capital e vice-versa. O estado hoje tem diversos festivais, bandas de várias cidades que circulam e trocam tecnologias entre si” conta Cássia Cardoso, representante regional do Circuito Fora do Eixo. O projeto se trata de uma rede de trabalhos formada por associações ou coletivos responsáveis por fomentar a cultura, através da circulação e intercâmbio cultural dentro da sua estância (que pode ser municipal, estadual ou nacional). Apesar da autonomia para escolher a forma como trabalhar, geralmente os coletivos funcionam através da organização de núcleos internos responsáveis pela comunicação, articulação e distribuição de produtos (CD’s, camisetas de bandas, etc.).
O crescimento e estruturação do circuito viabilizou o surgimento de casas de show com programação voltada apenas para eventos de música alternativa. Na maioria dos casos, os espaços contam com apresentações de diversas bandas locais – desde grupos que estão começando, aos mais conhecidos pelo público.
Outro aspecto que aponta para o crescimento da cena é o aumento no número de festivais organizados para dar visibilidade e premiar grupos independentes. Entre eles, O Desafio das Bandas e o Arena 1 têmo objetivo de divulgar a produção musical de bandas independentes e favorecer o reconhecimento de novos talentos pertencentes ao cenário musical alternativo da Bahia. Para o estudante e fã do circuito, Wesley Sacramento, 20 anos, “a presença dos festivais contribui de forma grandiosa para a divulgação dos grupos. O público tem a oportunidade de conhecer o trabalho de outras bandas. Isso fortalece o cenário, é um movimento bacana”. 
Na hora de apontar ferramentas que contribuíram para o destaque da cena, a opinião é quase unânime: a internet foi fundamental para chegar ao que se tem hoje. Aliado às produções cada vez mais freqüentes de videoclipes, o meio virtual permitiu uma divulgação extensa dos trabalhos. Dessa forma, o público começou a ter contato com o que essas bandas produzem, através de sites como o MySpace, YouTube e Palcomp3, usando a tecnologia a favor do compartilhamento da obra.
No entanto, alguns problemas ainda são visíveis. Para Alex Góes, cantor e dono da antiga casa de show Boomerangue, a dificuldade gira em torno do baixo retorno financeiro por conta dos ingressos baratos que dão acesso às festas. Alex acredita que “esse fato faz com que os empresários tenham um risco maior, e conseqüentemente, produzam menos eventos”. Além disso, ele alerta para a falta de espaço e mídia especializada. Flávio Guerra – vocalista da banda Ladrões Engravatados – acredita que ainda falta uma profissionalização do mercado alternativo: “Não acredito muito no crescimento de estrutura, ainda somos muito amadores. As bandas que se organizam para tentar realizar alguns eventos, mas ainda a falta de apoio é muito grande” revela.
Léo Brandão, baixista da banda Maglore, defende que a mídia já tem dado mais destaque à cena, e acredita ser mais um benefício trazido pela inserção do trabalho dessas bandas em ambientes virtuais. “É uma tendência natural das mídias convencionais (rádio, TV, jornais impressos) buscar a interatividade, e quando elas pesquisam o que o público tá consumindo, o que sai é aquela banda que mais se esforçou em divulgar o seu trabalho. A abertura dessas mídias ao mercado independente é inevitável”.

Todos os cantos – Se no inicio, muito se falava sobre a hegemonia do axé, creditando ao gênero parte da responsabilidade pela falta de espaço para o surgimento de novas manifestações musicais, hoje a opinião começa a mudar. “O Axé music é um exemplo de organização, temos que nos espelhar no lado positivo”, defende Pablício, presidente da associação Cooperarock – projeto que visa desenvolver e divulgar o trabalho das bandas de rock e da cultura independente de Camaçari.
Defensor do termo “Cena Preferencial”, o produtor cultural e radialista André Simões se define como regionalista incurável e viu nascer o ritmo carnavalesco há mais de 25 anos. “A música baiana cresceu em uma direção, mas há uma infinidade de outras. Há algo novo e devidamente estruturado em Salvador que já está sendo reconhecido. Quanto mais nos preocuparmos com um gênero somente, menos dedicaremos tempo ao crescimento de outros”, defende.
Vocalista e baixista da banda Declinium, Oreah enxerga um circuito mais planejado: “O lance hoje tá bem mais organizado, mas eu acho que isso é resultado da persistência de algumas bandas e produtores, e do interesse da galera de conhecer coisas diferentes”. Fato é que as mudanças são visíveis, e felizmente, para melhor. Muito ainda se tem para fazer, mas sobre o futuro, a visão é otimista. Para André Simões “os grupos e artistas independentes foram à luta e criaram maneiras de se conviver com a dificuldade em mostrar o que se produz. Este resultado virá. Ou melhor, está vindo!” finaliza.