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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Rock de Camaçari vai virar filme

Do Camaçari Rock

Luz, câmera e rock!! Mais do que merecido, a história do rock de Camaçari será relatada em um vídeo, é o que pretende a estudante de jornalismo Emile Lira, responsável pela iniciativa. A universitária conta com a ajuda da colega Tais Araújo, as duas terão a dura missão de garimpar um pouco sobre a rica e oculta história do rock de nossa cidade.

Fizemos um bate papo com Emile, que contou todos os detalhes sobre vídeo, que é na verdade um trabalho de conclusão de curso da faculdade.
(Obs: Quem tiver afim de contribuir, fique a vontade para mandar arquivos de fotos ou vídeos)

Como está sendo o processo de descobrir fontes para o documentário?

A pesquisa em escala mundia e nacional eu fiz em livros e pela internet, mas em Camaçari, como não há registros, busquei orientação de algumas pessoas que penso ser referências, e que de fato me traçaram o histórico do rock na cidade.
Para o Projeto, no caso, o audiovisual, as fontes estão sendo buscadas pensando, primeiramente, no histórico que já fiz para essa primeira parte. No caso, uma abordagem rápida sobre as primeiras bandas da cidade, e maior foco no que acontece depois de 2000. 

Detalhe um pouco mais a questão do formato do vídeo, como ele realmente será? 

O documentário, na verdade, vai ter o formato de uma matéria especial para um programa de televisão, o que difere de um documentário em si por causa da figura do repórter na tela. O conteúdo será basicamente composto de entrevistas com músicos, produtores, frequentadores e demais figuras, como representantes dos coletivos e da cooperarock. A ideia é que toda a estética tenha a ver com o assunto: mais desprendido do formato padrão.

Por que resolveu fazer o TCC sobre este assunto? 

Primeiro porque é um tema que me interessa bastante, que tenho proximidade e um pouco de intimidade em falar. Também porque me identifico com o jornalismo cultural e o telejornalismo, e com o infotenimento (um neologismo que descreve na mosca o penso em fazer). Além disso, como pessoa que tem uma relação quase sentimental com o rock de Camaçari (rs - apesar de ter, relativamente, pouco tempo 'na cena'), acho massa a divulgação: porque o 'contar uma história', de certa forma, contribui para seu crescimento, para sua consolidação.

Conte um pouco sobre as dificuldades que você já vem encontrando.

A dificuldade que tive na primeira parte foi a de encontrar informações sobre a historia do rock aqui na cidade pela falta de registro mesmo. Para o Projeto, ainda não tive nenhuma dificuldade, só financeira (Risos). Ainda não comecei a por a mão na massa nessa parte, mas imagino que na parte do off terei um pouco de dificuldade pela falta de informações concretas, como já citei. E acredito também que a disponibilidade de algumas pessoas que penso em entrevistar seja um pouco complicada, mas trabalhando e planejando tudo se resolve.

Quando será apresentado o projeto, e depois vai ser disponibilizado para todos?

Vou entregar o TCC para aprovação no final de dezembro. Ainda não pensei em um lugar pra exibir nem nada, mas irei disponibilizar na net e quem sabe fazer um mine sessão de cinema em um som que rolar (provavelmente numa edição do Alternative-se né)

Formas de ajudar:
- Mandando fotos 
- Mandando relatos sobre bandas, grupos, etc
- Se disponibilizar ou indicar alguém pra ser entrevistado
Email: emilelira@yahoo.com.br

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Escola do rock

De aprendiz a referência, Fábio Cascadura mantém há 21 anos a banda que carrega no nome

Fábio Cascadura: mais de duas décadas de rock e
um curso de história na Ufba

Da Muito

Às análises sobre os recentes protestos realizados em todo o Brasil, Fábio Cascadura, 43, acrescentou ciência. É que o frontman de banda de rock, papel que exerce desde moleque, quando ouviu Beatles e quis fazer igual, agora pula entre aulas do curso de história na Ufba. "O grande triunfo dessas manifestações foi ter aberto o campo; desfragmentado pautas, constrangido o poder e a mídia", diz, sentado numa escada do Pavilhão de Aulas nº 5, em Ondina. 
Parte do exercício (observar a insatisfação difusa e generalizada como que pesquisa) está em sua página no Twitter. A mesma que ele utiliza, ainda que de forma mais comedida, para divulgar shows e projetos do Cascadura, grupo que mantém há 21 anos, sinônimo de música feita na Bahia. A moderação na freqüência sonora vem menos de sua atual condição de estudante e mais da bandeira fincada pela banda, um passo à frente.
“Não dá mais pra fazer show toda semana, porque os convites que a gente aceita são aquele que dão espaço para que possamos fazer as nossas coisas. Nosso repertório hoje é o do último disco, que é mais complexo, difícil de executar”.
Fábio refere-se à Aleluia (2012), gestado ao lado de Thiago Trad (com quem divide a condução do grupo desde 2002) e uma trupe – o produtor André T., Pitty, Letieres Leite & Orquestra Rumpilezz, Móveis Coloniais de Acajú, Nando Reis, Ronei Jorge. Diferente de Bogary (2006), o trabalho anterior, álbum “pau e pedra”, Aleluia é ensaio, sinuoso ao falar sobre Salvador, suas particularidades.
Banda: Cadinho (baixo), Fábio, Thiago Trad (bateria) 
e Du Txai (guitarra)
Há canções sobre A Mulher de Roxo, velha elite, anônimos: a faixa Chorosa veio depois de um encontro com um vendedor de vassouras. “A voz do cara era igualzinha ao do (cantor de soul) Otis Redding. As ruas de Salvador têm muito dessas coisas. O material humano é diverso e visível. Às vezes, até enche o saco, porque todo mundo é artista” ele diz, rindo.
Mas Aleluia é, sobretudo, um reposicionamento. O esforço para dizer o que se é. Em sua coluna, publicada no A Tarde, no início deste ano, Caetano Veloso versou sobre o resultado. “Um trabalho extenso e denso, um disco de responsa, que todos os amantes de rock deveriam ouvir”.
“Nessas duas décadas, já pensamos muito em parar. Bagary foi feito como um encerramento. Mas o disco dói se retroalimentando. Veio o clipe, a nossa presença em festivais”, lembra Fábio. “Então, perseguimos um trabalho que fosse um reverência a quem nos acompanha e a nossa história; Aleluia é isso”.

LADO B – Quando fala, Fábio traz a marca de quem foi criado em lojinhas de vinis. Cita bandas do lado B, obscuridades para entendidos encontradas nos inferninhos musicais de Salvador dos anos 1980 – o mais celebrado, Kaya Discos, que funcionou na Ladeira de Santa Tereza, foi onde ouviu o pós-punk do The Cult e viu aí um caminho para a banda que fundaria mais tarde, responsável pela ruptela no seu RG original, Fábio Silva Magalhães. Antes, porém, passou por bandas de amigos (mais deles do que suas) e vendeu ele próprio discos em lojas.
A fala de Fábio traz, também, a constante busca pelo plural. Ao esbarrar na pessoalidade do ‘eu’, apruma um ‘nós’. Uma defesa aos que o fazem “líder” e tratam a Cascadura como a banda de um homem só. O que Fábio atribui a alta rotação de integrantes que marcou seu início, com os álbuns #1 (1997) e Entre (1999).
“No fim dos anos 90, depois de muita gente ter embarcado e saído do grupo, fiquei tentando achar um rumo. Apenas durante esse tempo Cascadura foi um projeto apenas meu. Mas como regra, é uma via de muitas mãos”.
Com o baterista Thiago como nome fixo (nas gravações e shows, novos músicos são agregados), Fábio teve a experiência de projeção. A dupla desembarcou em São Paulo quando a cena confluía Pitty, Cachorro Grande, Dead Fish, Daniel Belleza e os Corações em Fúria, além de representantes do Mangue Beat. Uma “geléia catalisadora”, como Fábio define.
Pitty e Fábio durante apresentação no 
Video Music Brasil (2008)
“Quando você está lá, passa por situações difíceis, porque o mercado é um funil. Mas você está numa vitrine. A partir dali ganhamos visibilidade nacional”.
O que explica, então, o retorno a Salvador, em 2006? “Nossa ideia nunca foi ficar lá. Tivemos uma experiência que deu certo, mas nossa história sempre foi com Salvador. E voltamos num momento em que era possível produzir aqui. O acesso aos estúdios estava mais fácil e a internet começava a se mostrar como uma forma importante de divulgação”.

SELF-MADE – Com uma estrutura self-made – são os próprios Fábio e Thiago que movimentam o Facebook da banda, os estúdios são alugados ou emprestados, tudo é discutido e feito sem grilhões -, a Cascadura é classificada por Fábio como “uma banda na mesma freqüência do seu tamanho”. “Já tivemos oportunidade de embalar com uma galera do mal, nada a ver. Mas como não primamos pela coisa do ‘tenho que aparecer toda hora’, fica tudo bem”.
Na atual rotina na Ufba, às vezes, Fábio tropeça em quem conhece seu trablho. Como no dia em que foi reclamar da ausência de professor e recebeu do coordenador do curso um elogio a Aleluia. No circuito musical, é alvo de abordagens. Referência para novos músicos? “Talvez. A gente tem consciência do nosso lugar, mas não convicção disso. Convicção paralisa”.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Dia de estreias no Fazendo Barulho


Por Emile Lira

Rock para todos os gostos no máximo volume. É isso que vai rolar no Fazendo Barulho, evento que levará ao palco do Espaço Cultural Casa de Taipa (Av. Radial A – Gleba A – Camaçari) no sábado (20/07), a partir das 18h, cinco bandas que garantem uma sonzera responsa.
A festa embalará os mais saudosistas, que irão ver o som experimental da camaçariense Ultrasônica voltar aos palcos depois de um hiato de dois anos da trupe.
O Fazendo Barulho também é lugar de lançamentos. Na ocasião, três bandas soteropolitanas se aprestam pela primeira vez em Camaçari. A Teenage Buzz, que está lançando o seu primeiro EP, intitulado Buzzin’ Arround, coloca em cena o rock sessentista, mas sem deixar de soar moderno. Com influências que passeiam pelo grunge, punk e indie’90, a Cindy traduz em seu som o fino resultado dessa mistura sonora. Já a Mustafarah asseguram fazer muito barulho com o seu ska.
Mas a grande novidade é mesmo a estreante Elefante Grego, banda recém formada, que irá apresentar um rock recheado de distorção. Para saber mais o que o novo quarteto da cidade da árvore que chora promete, o Alternative-se conversou com o guitarrista e vocalista da banda, Faustino Menezes.

Nova banda, Elefante Grego, aquece cena rocker de Camaçari 

Alternative-se: Primeiramente, quem é a Elefante Grego?
Faustino Menezes: A banda foi inicialmente formada por mim, na guitarra e voz, e meu primo, Everton Mendonça, baixo e voz. Hoje contamos também com Edvaldo Filho, o conhecido Fofo, na guitarra, e Mihage Silva na bateria.

A: O que vocês tocam?
FM: O Elefante Grego toca rock em suas diversas formas, sem muita limitação de estilo. É um indie, um noise, é lo-fi, é experimental. É tudo isso batido e misturado com nosso desejo de fazer música.

A: Como surgiu a ideia de montar a banda?
FM: A Elefante vem desse incansável desejo que eu e Everton tínhamos, primeiramente, em fazer rock, nessa que afirmamos ser a cidade mais rock da Bahia. Após vários ensaios juntos, resolvemos chamar Mihage e Fofo pra integrar a banda. A nossa primeira apresentação foi em um churrasco entre amigos e músicos daqui, improvisando algumas músicas do projeto. Aí esquentamos os ensaios com os quatro e em breve iremos estrear. O objetivo é fazer muito rock n’roll e fortalecer a cena da cidade.

A: O que pretendem apresentar nesse primeiro show e o que o público pode esperar?
FM: Vamos apresentar nosso repertório que trabalho há algumas semanas, músicas autorais, escritas na maioria por mim, algumas em parceria com Everton. O público pode esperar muito rock, um show enérgico, com algumas pitadas mais experimentais, algo pra galera poder respirar um pouco, porque como diz um amigo meu, Maicon Charles (baterista da Velotroz), "o ritmo é frenético", então tem que dar uma aliviada. Mas, fora isso, é rock do início ao fim, de diversas formas e acordes! Esperem muita distorção, isso sim!



Ainda rola no Fazendo Barulho a discotecagem do Pivoman Ítalo Oliveira, guitarrista e vocalista da The Pivo’s.
Os ingressos estão à venda com os componentes das bandas e custam R$5. No dia da festa, na portaria, podem ser adquiridos por R$7.
Confirme sua presença no evento no facebook.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Especial Dia Mundial do Rock'12

Por Emile Lira e Faustino Menezes

Para muitos, dia de rock é todo dia, mas o calendário reserva uma data especial para um dos ritmos mais empolgante do planeta, esse rebelde filho do R&B, jazz e country. A origem vem lá da década de 80, num festival realizado simultaneamente em duas cidades dos Estados Unidos, onde vários artistas subiram ao palco em prol do fim da fome na Etiópia. Muitos eventos assim aconteceram nessa época, mas esse, em 13 de julho de 1985, foi o que conseguiu maior arrecadação. E mesmo que hoje não se tenha nenhum registro visual dos shows, a data ficou marcada como o Dia Mundial do Rock.
Desde os tempos de Chuck Berry e Little Richard, explodindo com o faça você mesmo, lema do punk setentista, reunir bateria, baixo, guitarra e álcool pode dá bons frutos. Dos Beatles a Nirvana, de Rolling Stone a Iron Maiden, chega a ser quase incontável, são do rock os grandes nomes sagrados da música mundial. Até mesmo na chamada terra do samba e do carnaval, mestre Raul pode se orgulhar dos discípulos, seja com Renato, Cazuza ou Cássia Eller.
O ritmo é imortal por essa sua capacidade de inovar e transcender gerações. E hoje, com tantas novas – e ótimas – bandas que vêm surgindo, podemos sim afirmar que o rock não morreu, e o pai Elvis deve estar feliz.

COMEMORAÇÕES Para comemorar a data, Salvador tem programação especial. O Rock Concha leva na sexta-feira (13) à Concha Acústica do Teatro Castro Alves a baianíssima Cascadura e Agridoce, dupla formada pela cantora Pitty e pelo guitarrista Martin Mendonça. Sábado (14) quem sobe no palco é Vivendo do Ócio, uma das bandas soteropolitana que mais vêm ganhando destaque no cenário nacional, e Titãs, ícone do rock brasileiro. E para fechar o evento, no domingo (15) é a vez de Frejat e Maglore saudarem o Dia do Rock.

CAMAÇARI Já na cidade da árvore que chora, a comemoração acontece no domingo (15), quando bandas da cidade se juntarão a algumas convidadas. Psicopop, O Manto e Diário Urbano dividem palco com Pastel de Miolos, Velotroz, Camarones Orquestra Guitarrística e Vivendo do Ócio. A festa acontece a partir das 15h, no Espaço Armazém.

VELOTROZ NO DIA MUNDIAL E para saber mais do que pode acontecer no Dia Mundial do Rock 2012 em Camaçari, conversamos com Giovani Cidreira, vocalista, violonista e compositor da Velotroz, ele nos contou o que a banda do futuro prepara para a apresentação.
No currículo, o grupo carrega dois EPs bem sucedidos e aceitos pela crítica e público, shows enérgicos e fora do comum. A Velotroz dispensa qualquer apresentação, mas nunca é demais lembrar que a trupe, formado por seis jovens e talentosos músicos de Salvador, ganhou uma das competições mais desejadas por bandas baianas do estado: Desafio das Bandas do Grupo A Tarde, com um júri que contou até com o músico Fábio Cascadura, outro que dispensa apresentação.
 Os músicos se preparam pra vir pela segunda vez em Camaçari, mas pela primeira vez com uma responsabilidade tão grande como a de tocar no Dia Mundial do Rock ao lado de bandas importantes do rock baiano na cidade do Pólo.



Alternative-se: A banda acaba de lançar o EP A Banda do Futuro Apresenta: Espelho de Sharmene, e já estreou o repertório novo em show no Teatro Vila Velha, correto? Além do set-list, o que irá mudar na banda do último show em Camaçari para o do Dia Mundial do Rock?
Giovani Cidreira:
Sim, lançamos o EP Banda do Futuro Apresenta Espelho de Sharmene e o show "Espelho de Sharmene". Nesse show tocamos as músicas dos dois EPs que temos lançados e algumas músicas de gente que agente acha que sempre valerá a pena ouvir, como Sergio Sampaio e Arnaldo Baptista. As coisas mudaram. Agora nós tocamos apenas com o propósito de alertar as pessoas das coisas que viram no futuro, da falta de proximidade entre as pessoas, da falta de urgência no amor. Finalmente revelamos nossa missão aqui. Salvar o futuro da desilusão.

A: Como vocês se sentem em fazer esse show dia 15?
GC:
Esse é o terceiro show que vamos fazer com esse novo EP, estamos com muita vontade de tocar essas musicas e de contar para as pessoas o que vai acontecer daqui pra frente com nossas vidas. Além do mais, estávamos com vontade de voltar a Camaçari faz tempo. A cidade tem uns bares legais e a galera é muito receptiva... Um barato.

A: Até hoje vocês lançaram dois EPs (Parque da Cidade e Espelho de Sharmene) e já estão com um álbum prontinho pra ser lançado. Tocarão alguma música do disco no show?
GC:
Só tocaremos músicas dos trabalhos que já foram lançados. Da ultima vez que estivemos na cidade nós tocamos todas as musicas do disco novo, (risos). Combinamos não fazer mais isso. Quem foi, foi! (risos).

A: Dia Mundial do Rock: como vocês enxergam essa data atualmente? E qual a importância dela?
GC:
Eu acho legal, (risos). Esse dia me faz pensar... “Eu tenho uma banda de rock, que legal”. Faz pensar como isso é difícil e ao mesmo tempo tão bom. É como no dia do samba. Eu adoro.

A: E voltar em Camaçari? Como foi a primeira vez e o que esperam do dia 15?
GC:
A primeira foi uma loucura. Nós tocamos todas as músicas de um disco que ainda nem lançamos, fizemos boas amizades, brigamos e ficamos doidos mesmo, né? Eu virei fã da cidade.

A: Vai rolar algo especial pra esse show?
GC:
Sharmene prometeu aparecer, isso é difícil, espero que role.

A: Vocês são de Salvador. Qual a diferença do público de Camaçari pro soteropolitano? Se é que há diferença.
GC:
A diferença é que estamos tocando pra pessoas que de repente não conhecem a Velotroz, ou nunca foram num show nosso por morar em outra cidade, mas que gostam muito da banda e sabem cantar as músicas e tal. Isso torna a coisa toda mais interessante pra nós. É legal ver rostos diferentes.

A: E como é tocar com a Vivendo do Ócio, que está se destacando cada vez mais no cenário musical nacional?
GC:
É bom saber que vamos ter esse publico lá, de pessoas que de repente não conheceriam a Velotroz agora. Já tocamos com a Vivendo (do Ócio) outra vez, faz tempo, muita coisa mudou, eles mudaram, nós também. A galera é doida, vai ser legal.

A: E a ansiedade? Está muito grande?
GC:
Sim... Parece que vai ter muita gente lá no dia, vamos tocar com um pessoal bom, danado ‘mermo’. Nós gostamos da cidade, adoramos ir a Camaçari pra tocar. Espero que agente faça um bom show, quero que o povo goste, e que ouçam os ensinamentos da tecnologia divina Sharmene. Um beijo pra vocês!


E então, que o dia 13 (e todos os outros dias) seja de muito rock pra todos. Parabéns aos que insistem em fazê-lo, sobretudo nessa nossa terra do dendê, e a todos que apostam e apoiam a cena.  Vida longa!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Nem tão diferentes assim

Da Revista Bequadro


De onde menos se espera, caminhos se encontram. Foi esse o mote desse papo com Luiz Caldas e Vandex. Começo a apresentação pelo segundo, obviamente menos conhecido. Evandro Botti foi baixista da Úteros em Fúria, uma das bandas referência do rock baiano da década de 90, quando o gênero ainda brigava com o axé business. A Úteros acabou durando só o tempo de um disco, mas continuou marcante. Apelei para um hiperbólico ‘obviamente menos conhecido’ para acentuar o quão famoso é Luiz Caldas. Talvez, hoje, não se reconheça isso, inclusive os fãs da axé music, gênero que Luiz foi o primeiro representante. Mas, quem tem mais de 30 anos sabe. Luiz Caldas fez muito sucesso: discos de ouro e platina, habitué do programa do Chacrinha e música em abertura de novela. Ou seja, o criador do axé era uma estrela pop na década de 80, período do desabrochar do BRock. Nossa conversa caminha pelas origens de cada artista e, vejam só, descobre o quão ligados eles são. Das bandas de baile de Caldas, que lhe deram a pegada pop, às gravações da Úteros em Fúria, feitas durante um Carnaval. Esses dois gêneros, outrora tão antagônicos, ora se cruzam, ora se contrariam. Tá confuso? Então, tente entender um pouco mais a seguir. Afinal, tudo faz sentido quando o negócio é música. 

Ronei Jorge – Quando você fez sucesso, nos anos 80, o rock estava em evidência e você era uma figura diferente. Como era a abordagem da mídia em relação a você, Luiz? 
Luiz Caldas - Eu era um diferencial justamente por estar trazendo um estilo diferente, que ganhou o nome de axé music. Mas os colegas também curtiam muito, porque quando tem um trabalho forte e coerente não tem uma disputa. Então, em nenhum momento eu fui rechaçado. 

RJ- Não era uma coisa do tipo você é de uma turma e eu sou da outra... 
LC - Pelo contrário. 

RJ - A gente via que existia, às vezes, um discurso marcado, pautado pelo rock inglês e americano. Então, eu queria saber, você se sentia, assim, menos... 
LC - Importante? 

RJ - Não, porque importante você era. 
Vandex - Pertencente? 

RJ - Você sentia que a imprensa não estava preparada pra lidar com seu trabalho? 
LC - Eu era, assim, um produto bizarro em comparação ao que era apresentado no Chacrinha, de forma geral. As minhas roupas, a androginia, a coisa de andar descalço, brincos grandes... Ou seja, eu levei uma música nova, uma atitude nova, com interação entre o público e o artista no trio. Essa coisa da coreografia veio comigo. Aquela coisa toda, mesmo que fosse uma bobagem, num programa como o Cassino do Chacrinha, pô, era maravilhoso. Ele mesmo fazia questão e dizia: “Podem chamar quem vocês quiserem aí, mas Luiz e Magal têm que vir...”. Então, claro que a imprensa não tinha nenhum preparo pra isso. Eu fazia parte, naquele momento, de uma grande festa, com o nascimento de grupos que hoje estão aí com 30 anos. Nunca vi nenhum problema nisso, pelo contrario. Acho que foi até... 

RJ - Agregador... 
LC - Isso, agregador. 

RJ - Vandex, então eu vou lhe fazer a mesma pergunta. Na sua época, a Úteros fez um disco, tinha clipe na MTV, num período em que a música baiana estava em ascensão. Como era fazer rock em Salvador? 
V- Acho que a coisa foi mudando muito, né? A gente começou a banda no final dos anos 80 e tinha que se colocar, até em termos de som, porque a nossa proposta devia ser pensada de acordo com o próprio rock’n’roll que rolava na época, o pós-punk... Então, era toda uma virada de padrão sonoro que estava se estabelecendo e a gente tinha que propor alguma coisa. Começou a moda de cantar em inglês... A gente na Bahia tinha uma coisa especial porque a indústria da axé permitiu a criação de estúdios como o WR, que possibilitou a gravação do nosso primeiro disco. A Úteros gravou o disco durante o Carnaval porque o estúdio estava vazio. A gente estava no melhor estúdio, com tudo disponível pra a gente tirar um som de rock. Foi graças a essa estrutura que a gente conseguiu gravar o nosso primeiro disco e eu acho que hoje também a gente vê que a axé tem uma estrutura de produção que pode ser utilizada por qualquer som. 
LC - Isso que Vandex falou é muito importante, porque a axé music cresceu muito na parte comercial depois dos anos 90, quando foi deixado para trás qualquer rastro de criação, entendeu? E aí agregou o quê? Roupas, telões no fundo do palco... Porque todos os shows, de certa forma, estão calcados em covers, vamos dizer, de artistas que deram certo e que nem sempre são tão bons assim pra serem imitados, a meu ver. E justamente nesse momento o crescimento do rock foi fundamental também. Mas você via o rock sempre pelas lacunas, porque o monstro da cultura da axé music trabalhava em detrimento de outros estilos. Chegavam numa rádio e pagavam R$ 50 mil pra poder tocar o disco deles e pagavam mais R$ 40 mil para não tocar determinado disco...

RJ - Como é que você via o rock? Se é que você via... 
LC – Via, sim. Agora, eu não tinha como encostar tanto no rock’n’roll por questões de gravadora. Isso foi afastando qualquer ligação, porque o cara não podia chegar e se ‘contaminar’, vamos dizer assim, nem o rock com a música de trio elétrico e nem o trio elétrico podia se contaminar com o rock, na visão dos donos de gravadora, entendeu? Muito doido, porque existe coisa mais rock’n’roll do que Armandinho tocando guitarra baiana? 

RJ - Amigos meus mais velhos dizem que, na época, o rock ao vivo eram os trios, era ver Armandinho, Acordes Verdes... Fazendo o nosso mea culpa, né, Vandex? A gente também se afastou, porque o nosso grito de liberdade era meio que: “Porra, se ninguém quer a gente, então também a gente é contra...” 
V - Eu acho que é isso... Eu queria perguntar pra Luiz justamente como é que se deu esse início, porque quando a gente vê, em termos de som, a coisa não tem muita diferença. Quando o cara começa a tocar, as influências regionais vêm, as influências estrangeiras vêm e o cara não fica tomando consciência do que é rock, do que é axé... Já fui dono de estúdio de ensaio, já vi o cara que vai fazer um pagode depois tocar Nirvana na mesma pegada. Como foi essa transição aí, das bandas de baile do final dos anos 70, que também faziam axé? Hoje em dia todo mundo virou axé. 
LC - Veja bem, eu comecei tocando em baile com 7 anos de idade. Já tocava aqueles artistas todos da Motown e do rock... 
V - Pra fazer baile no interior da Bahia... 
LC - A gente tocava tudo, porque o baile começava às 10h da noite e ia até as 5h da manhã, colando uma música na outra. Porque não podia parar com o povo dançando, né? Aí, a gente misturava tudo mesmo. Começava com Creedence e terminava com Agepê. Tinha que tocar no mesmo gás. Então, a gente não tinha tempo para levantar bandeira de nada, a bandeira era só a da música, saca? Para responder o que você perguntou, essa mudança veio, justamente, quando eu cheguei no trio elétrico, porque só se tocava frevo, que é da cultura pernambucana. E, por mais diferente que seja o nosso frevo e por mais genialidade da família Macêdo e de Moraes Moreira, não era a cara da Bahia. 

RJ - E isso acabou sendo a sua marca, né, Luiz? A gente ouve a coisa da tradição do trio, mas vê que você tem influência da musica pop... 
LC - O disco Magia tem salsa, merengue, rock, samba. É uma mistura muito grande. Porque eu não faço distinção musical, eu só vejo o seguinte: tem dois tipos de música, a bonita e a feia. 

RJ - Vem cá, Vandex, Apu (guitarrista da Úteros em Fúria) casou com Sarajane, a primeira popstar feminina do axé... Por conta dela, vocês começaram a conhecer coisas também de outro universo? 
V – A música se dá de uma maneira orgânica e foi isso justamente que aconteceu com Apu e Sara. Apesar de pertencerem a gêneros musicais diferentes, eles estavam na Bahia fazendo som e se conheceram... Sara acabou ajudando muito a Úteros em Fúria. Acho que é isso, na prática, todo mundo quer fazer música. Mas, na verdade, é a política da música baiana que faz essas divisões, esse rótulos. Agora, se a gente quer fazer um som diferente, tem que aproveitar o que tem de bom de cada um e fazer com que a coisa apareça. 

RJ - Você lançou dez discos de estilos diferentes em um ano, Luiz. Vai fazer um show segmentado ou é um show que você pensa em misturar tudo? 
LC - Na realidade, são 280 músicas, tudo inédito. Mas isso não quer dizer que eu vá tentar condensar tudo isso em um espetáculo. Isso não existe. Fiz um caleidoscópio musical como se fosse um registro de vários estilos. 

RJ - Vou perguntar para os dois: da música baiana, em geral, o que vocês têm ouvido que destacariam? 
LC - Olha, infelizmente, no momento, eu não estou escutando praticamente nada. Fui convidado para participar de um disco tributo ao Nirvana e fiquei trabalhando num arranjo diferente. Quando estou compondo não posso correr o risco de estar ouvindo muito porque acabo me influenciando. 

RJ - Vandex? 
V - Têm várias bandas que eu curto. Eu fiz um show com a galera da Suinga, que trabalha muito o ijexá e o ijexá tem tudo a ver com o rock’n’roll. 

RJ - Luiz, achei muito boa sua apresentação no programa Chico & Caetano... Caetano faz uma apresentação enorme falando de você, muito bacana... 
LC - No início de minha carreira nacional, Caetano Veloso me apresentou no Fantástico também e sempre com o maior carinho. Ele sempre foi assim, uma pessoa muito carinhosa com a música em geral, por isso que eu gosto muito dele. 

RJ - Voltando à questão dos anos 80. Acho que já vi Lulu Santos uma vez, se não me engano, dizer: “Esse pessoal tá perdendo tempo com rock inglês, Luiz Caldas está aí, é o nosso Prince”. Como é a sua relação com essa música que você fazia no passado? 
LC – Tudo vai e volta, ninguém fica parado num lugar só. É, por exemplo, a resposta que eu poderia dar até em uma pergunta que você fez antes sobre os anos 80. Eu andava em todos os meios musicais, não tinha nenhum grilo. Pô, Caetano e Chico eram a nata da MPB condensada e eu estava ali com eles num dia muito bom, que tinha Rita Lee, Bethânia. Foi maravilhoso, eu, ali, guri, no meio de monstros sagrados que me receberam da melhor forma possível. 

RJ - Você já ouviu a Úteros em Fúria? 
LC - Lógico. Para o rock daqui da Bahia eu tiro o chapéu mesmo, é muito mais interessante do que o rock paulista. 

RJ – Vandex, o que você indicaria pra Luiz ouvir? 
V - Eu indicaria a Suinga... 

RJ - Quando terminou a Úteros, você sentiu essa abertura musical também, Vandex? De, tipo, “agora eu não sou mais um cara do hard rock?”. 
V - É, a Úteros fechava mais, né? Sinto que a gente também perdeu um pouco, por culpa nossa, a virada dos anos 90, que foi justamente por bater muito na tecla de cantar em inglês. Eu acho de ‘fuder’ cantar em inglês, mas acho que a gente pagou um preço por isso. A gente teve a oportunidade de ter continuado, ter incorporado outras coisas... Bandas contemporâneas, como Chico Science e Raimundos, souberam dar o pulo pra poder entrar no mercado. E a Úteros ficou muito batendo na coisa do inglês e ficou estranho porque o mercado brasileiro não queria isso. 

RJ – Hoje, as músicas de Carnaval perderam o groove, né? 
LC - Com exceções, é um pop malfeito. Eu vejo assim, infelizmente. Até porque os grandes músicos migraram pra axé music e agora pro pagode. Porque o cara precisa pagar a conta. A Coelba não que saber se você toca rock ou axé. Corta do mesmo jeito.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Em nenhum momento falamos que somos contra o mangue beat", diz vocalista da banda pernambucana Volver

Do Rolling Stone


Fosse uma revista voltada para o público masculino, o disco novo do Volver seria um sucesso absoluto de vendas – Próxima Estação é recheado de musas e polêmicas. Ter nomes de mulheres intitulando as canções não é algo novo na obra do grupo de Recife. Mas, desta vez, o número de homenageadas triplicou. São elas uma mulher de verdade, uma outra absolutamente fictícia e a terceira... bem, há controvérsias.
A faixa que abre o trabalho se chama “Marizabel”, “homenageia minha esposa”, conta à Rolling Stone Brasil o vocalista Bruno Souto. Já “Ana” surgiu de forma curiosa: “É a personagem do conto Amor, da Clarice Lispector. Por causa da música ‘Clarice’, que lançamos antes, me pediram uma composição para um longa sobre a escritora. O filme ainda não saiu, está empacado, mas pelo menos gravamos a música.”
Agora, a canção que mais chamou a atenção é uma batizada de “Mallu”, garota que “quer ser mulher e não está para brincadeira”. Mais ainda, ela “deseja um dia se casar ouvindo Bob Dylan no altar”. Soa familiar, certo? Mas Bruno diz que a letra não fala exatamente da Mallu autora de “Velha e Louca”, conforme todos imaginam. “A personagem da música é mais narrativa. É uma coisa para brincar, deixa uma pista aqui, outra ali. Mas também é para meninas-mulheres em geral, é sobre todo esse processo de querer ser mulher, uma homenagem em geral”, garante.
O que será que Mallu achou de todas as coincidências entre a letra e sua personalidade? “Não sei se é verdade, mas conheci um produtor que trabalhava com ela e pedi para que ele mandasse a música para Mallu. Segundo ele, ela ouviu e não gostou muito. Mas parece o Marcelo Camelo [namorado da cantora] gostou e a convenceu a gostar mais da música.”
“O universo feminino é muito encantador e vivo. Isso de termos vários nomes de mulher é uma coisa natural, não tem nada de forçar a barra”, explica. “Nada melhor do que uma mulher para inspirar, né? Adoro essa ideia de musa.”
Mas a questão de Mallu, potencialmente, não ter gostado da música que leva o nome dela não foi a polêmica que fez o disco ser comentando amplamente, há algumas semanas. O lançamento do clipe de “Mangue Beatle” fez explodir a ira de uma parcela dos conterrâneos de Bruno. A faixa, segundo ele, é uma crítica ao fanatismo que encontrava em Pernambuco com a música regional, algo que faz bandas locais que não seguem essa linha, como o Volver, serem mal vistas.
Segue um trecho da letra: “Eu não sou um caranguejo/ Pra você sou percevejo, então
Teu gosto é bem melhor/ Eu não sou salvação/ Sou playboy tipo burguês/ Fui pra Londres canto em inglês então/ Teu desprezo é maior/ E eu vou na contramão/ Lembra o mague é todo teu/ Eu só quero incomodar/ Mais do que você pensa eu sou/ Eu não quero mais viver/ Eu não consigo viver/Nessa lama com vocês”.

“Essa música já existia há certo tempo, fazia parte de um projeto paralelo meu e estava no MySpace, algumas pessoas já tinham escutado. Decidimos colocar no disco porque tem a ver com a proposta do trabalho, em que falamos de mudança, saudade”, explica. “Muita gente não entendeu, outros acharam que foi direto demais. A grande maioria que não gostou é porque não entendeu, acha que estamos sendo contra o mangue beat. Em nenhum momento a gente fala isso. A gente só diz que não é caranguejo.”
Bruno refuta as acusações de que fez apenas uma crítica gratuita à música conterrânea. Ao contrário, afirma que fala “desse tipo de patrulhamento, essa pressão de ser regional” com a propriedade de quem passou por isso. “Muita gente veio elogiar a nossa coragem porque sente isso, mas nunca falou nada. Fomos meio que porta-vozes dessa geração de artistas que não faz nada regional. Aliás, o mangue beat serviu de representação, mas [a letra] é sobre manifestação regional como um todo. A ideia era ser muito bem humorado, uma piada de pernambucano para pernambucano.”
No mais, Bruno define o disco como “mais confessional”. “Dei mais minha cara a tapa, me expus”, conta ele sobre a importância do trabalho na carreira do Volver. “Mas isso é uma impressão minha, na verdade. De repente você pode pegar o disco anterior e achar que me expus mais lá. Acho que é um disco [que mostra mais] segurança”, pondera.
Volver a Recife
Falando em cara a tapa, o show de lançamento de Próxima Estação acontece em Recife, no próximo dia 16. Mas não, a forte reação a “Mangue Beatle” em nada atrapalhou a grande expectativa do grupo de tocar novamente em sua terra natal depois de mais de um ano. “Estamos é ansiosos para matar a saudade!” E também não há exatamente uma grande preocupação em serem recebidos com menos carinho do que o esperado – ou até mesmo com vaias, ou algo do gênero. “É um evento fechado. Acho difícil alguém pagar para ir lá xingar. Se fosse em algum lugar público, tinha grandes chances. Mas a gente nem está pensando nisso. É de boa.”